Quarteto Radamés Gnattali

Para o terceiro evento da Temporada 2011, a Pró-Música traz pela primeira vez em Florianópolis o Quarteto formado por Carla Rincón (violino I), Francisco Roa (violino II), Fernando Thebaldi (viola) e Hugo Pilger (violoncelo). Destaca-se no panorama musical brasileiro pela excelência e versatilidade com que transita entre o repertório internacional e a dedicação à difusão da música brasileira. Sua carreira é marcada pelo sucesso junto ao público, pelo aplauso da crítica especializada e pelo reconhecimento através de prêmios como o prestigiado Rumos Itaú Cultural Música.

A história do Quarteto Radamés Gnattali começou a ser escrita em 2006 com uma homenagem a um dos maiores gênios da música brasileira. O nome escolhido para definir o encontro de quatro músicos interessados em divulgar a música de câmara latinoamericana, em especial a produção brasileira e contemporânea, já é uma pista do que pretendiam fazer juntos.

Em apresentações no Rio de Janeiro, onde está sediado, e várias outras cidades do país, o Quarteto Radamés Gnattali construiu uma relação de intimidade com o público e o repertório da música de concerto brasileira, lançando luz em obras de compositores consagrados e em ascensão. Na escala do conjunto, parcerias com autores de hoje estão ao lado de interpretações de mestres como Heitor Villa-Lobos, cujos 17 quartetos de cordas foram interpretados na íntegra pelo Quarteto em 2009, de forma inédita no Brasil e em Sul América.

Vencedores da edição 2007-2009 do prestigioso prêmio Rumos Itaú Cultural, o Quarteto lançou um DVD com o registro de uma apresentação ao vivo em São Paulo. Além de participar de festivais de música de câmara como a Bienal da Funarte, MIMO, Festival Villa-Lobos e Caixa Cultural, o conjunto também realizou, a convite da Universidade Estadual da Califórnia-Stanislaus, uma turnê de concertos e workshops pelos EUA em 2007, focada essencialmente na música brasileira. Estes projetos prepararam o cenário para a gravação do CD Quadro Brasil, um mergulho na produção de Camargo Guarnieri, Gnattali, Claudio Santoro e Villa-Lobos elogiado pela crítica, como a revista britânica The Strad, que destacou “a vida e a intensidade, a interpretação enérgica” do Quarteto.

Esta energia deriva do talento e da personalidade de instrumentistas que enxergam na música uma linguagem livre de fronteiras etárias e sociais. Carla Rincón (violino) é uma venezuelana que se tornou carioca, adora correr e experimentar comidas exóticas; Fernando Thebaldi (viola) vê metáforas plásticas nos sons e transparência na tradução do Quarteto para a escrita de cada compositor; Francisco Roa (violino) se divide nas horas vagas entre o futebol e as lições de pandeiro; Hugo Pilger (violoncelo) começou na música cantando no coral da escola e chegou soltar a voz quando criança em troca de refrigerante e bolas de gude.

A vivência em torno da música leva o Quarteto a participar de iniciativas de caráter pedagógico, como a série Concertos Didáticos nas Escolas, da Funarte, com atividades de iniciação musical em instituições de ensino do Rio de Janeiro. Em 2009, o grupo embarcou em viagens para o Acre, o Piauí e o Mato Grosso, apresentando em escolas públicas um espetáculo baseado no Guia Prático de Villa-Lobos. Em homenagem ao cinquentenário da morte do compositor brasileiro, o Quarteto também interpretou suas obras numa turnê de concertos que se estendeu pelas Américas do Sul e do Norte, Europa e África, iniciativas que lhe valeram o XIII Prêmio Carlos Gomes de Ópera e Música Erudita, como melhor conjunto de câmara.

Dentre os projetos o grupo dará continuidade à divulgação da produção de Villa-Lobos pelo mundo, e partir para novas viagens de Concertos Didáticos pelo Brasil, investindo na ampliação do horizonte artístico e social de sua música.

Extratos de críticas

"A interpretação do Quarteto Radamés Gnattali me deixou com os olhos rasos d'água. Não perca." (Opera Today website)

"Rico em verve e convicção." (Folha de São Paulo)

"Uma sonoridade de perfeito equilíbrio e fraseado impecável." (JB Online)

“...o dinamismo e virtuosismo do grupo, bem como o brilhantismo das sonoridades, distinguem estas interpretações.” (Catherine Nelson, The Strad Magazine)

Formação

Carla Rincon, Violino — Nasceu em Caracas, vive no Rio de Janeiro e tem seu passaporte carimbado por escalas artísticas em Nova Iorque, Berlim e Pretória. Transitar por diferentes espaços e sotaques é uma propriedade dessa violinista que fez da música seu idioma, exercitado em apresentações como solista, recitalista e camerista. Sua formação teve início no Sistema Nacional de Orquestras Infantis e Juvenis da Venezuela, uma ação do governo local que proporciona o ensino e a prática musical em conjunto sinfônico. Única musicista de uma família de sete irmãos, Carla encontrou nessa oportunidade o meio ideal para o aperfeiçoamento de seu talento ao violino e também o acesso para tocar como solista com as mais importantes orquestras daquele país, como a Simón Bolívar de Venezuela, com a qual também excursionou pela América do Sul, Ásia e Europa, sob a regência de renomados maestros. Premiada com uma bolsa integral do Conselho Nacional de Cultura da Venezuela e da North Carolina School of the Arts, graduou-se nos EUA, tendo sido aluna e assistente de Kevin Lawrence. Em 2000, venceu o concurso Solo Competition da faculdade e se apresentou como solista, acompanhada pela North Carolina School Orchestra. Participou de concertos como convidada da Chamber Music Faculty Society (NCSA), do Chamber Music Festival (NCSA), do Roanoke Island Arts Festival e do Killington Music Festival, no qual estudou com o Quarteto Emerson. Essas experiências serviram de inspiração para seu trabalho com música de câmara, que vem sendo desenvolvido no Quarteto Radamés Gnattali e no Duo Imago Mundi. Primeiro violino, Carla viajou com o Quarteto pelo Brasil, África do Sul, Alemanha e Suíça, além de realizar concertos e workshops com repertório exclusivo de música brasileira numa turnê pelos EUA, a convite da Califórnia State University. Participa de festivais como Villa-Lobos, Beethoven e Bienal de Música Contemporânea, e atualmente conclui seu Mestrado na Universidade de Hartford sob orientação de Katie Lansdale. No projeto social Bem me quer Paquetá atua como professora, implantando junto à comunidade o mesmo sistema musical que propiciou sua aproximação à atividade sinfônica e profissionalização na Venezuela. Para essa nova geração de pessoas e artistas, Carla Rincón, que regeu corais quando criança, exemplifica com cada passo de sua trajetória o feliz encontro da música com a vida.

Fernando Thebaldi, Viola — Antes de se tornar Mestre pelos Conservatórios Real de Haia, Rotterdam e Tilburg, Fernando Thebaldi começou a experimentar a música através de um piano instalado na casa de sua família, uma das primeiras representantes da colonização italiana no estado do Espírito Santo. As aulas no instrumento iniciaram aos nove anos de idade sob o incentivo da mãe, e logo despertaram o interesse pela prática da música em conjunto. Aos quinze anos, assistindo a um concerto da Filarmônica capixaba, conheceu a sonoridade da viola e, com ela, o princípio de uma paixão. A descoberta de uma gravação da Sinfonia Concertante de Mozart com Pinchas Zukerman ao instrumento serviu de estímulo para que Fernando se dedicasse integralmente à viola. Em 1984, mudou-se para o Rio de Janeiro e iniciou seu bacharelado na UNIRIO, encontrando no trabalho da violista e professora Marie-Christine Springuel uma referência semelhante àquela que, mais tarde, surgiria na inspiradora amizade com sua mestra holandesa Gisella Bergman. Fernando Thebaldi vem se apresentando como solista e camerista no Brasil e em países como Bélgica, Itália, Suíça, Ilha de Saint Maarten, Paraguai e EUA. Viveu por dez anos na Holanda, onde cursou seu mestrado, subiu ao palco da Concertgebouw de Amsterdam com o Ártemis Ensemble e integrou as orquestras Randstedelijk Begeleidings, Adamello Ensemble, Brabants Kamerorkest, Laurens Bach Orkest e Dordts Kamerorkest. Participou de master classes com Bruno Giuranna, Gregor Horsch e Siegfried Führlinger, e atuou como solista junto às orquestras sinfônicas do Conservatório de Rotterdam, Nacional da UFF e Jovem do Rio; Filarmônica do Espírito Santo e de câmara Ars Musica de Rotterdam, UNIRIO, Municipal de Asunción e Camerata Rio. Foi professor da Faculdade de Música do Espírito Santo por quatro anos e tem ministrado oficinas de viola em festivais como o de Inverno de Domingos Martins, o de Música Antiga de Juiz de Fora e o FEMUSICA de Campos dos Goytacazes. Faz parte da Orquestra Petrobras Sinfônica há seis anos, tendo sido um de seus diretores artísticos, e ocupa a cadeira de viola solista da Orquestra Sinfônica Nacional. Com o Quarteto Radamés Gnattali, desenvolve um elogiado trabalho em música de câmara, que já o levou aos EUA, Alemanha, Suíça e África do Sul, além de estados como Acre, Piauí e Mato Grosso, divulgando o Guia Prático de Villa-Lobos. Entre um concerto e outro, Fernando Thebaldi dedica-se à prática de esportes radicais. Trilhas, esqui e mergulho fazem parte de seus compromissos frequentes, assim como cozinhar para os amigos e estar junto da família, prioridade de uma agenda dividida entre a música e outras alegrias.

Francisco Roa, Violino — O talento de Francisco Roa Pasache foi descoberto em Santiago do Chile, onde nasceu em 1981. Quando tinha seis anos de idade, o pai de um amigo de escola notou sua habilidade musical enquanto brincava num pequeno piano elétrico e sugeriu à sua mãe que estudasse música. Na Escola Experimental Artística, começou a entrar em contato com a linguagem musical e, em 1991, passou a estudar na Faculdade de Artes da Universidade do Chile, onde foi orientado por Isis Muñoz e Alberto Dourthé até se formar como violinista em 2004, com máxima distinção. Premiado com bolsas de estudo de instituições como a Fundação Andes e a Corporação de Amigos do Teatro Municipal de Santiago, Francisco Pasache integrou a Orquestra Juvenil da cidade, foi spalla e solista da Orquestra da Faculdade de Artes e concertino e spalla da Sinfônica Nacional Juvenil. Em 2002, assumiu cadeira dentre os primeiros violinos da Filarmônica de Santiago, tocando como concertino entre 2005 e 2006 até a demissão em massa que significou a dissolução da orquestra e uma grande perda para a música chilena. Tem participado de festivais como o Internacional de Inverno de Campos do Jordão e o Schleswig-Holstein Musik na Alemanha, além de master classes com músicos como Eva Graubin, Alberto Lisy, Herwig Zack e Leila Josefowicz. Foi eleito o melhor candidato chileno no Concurso Internacional Dr. Luis Sigall, realizado em Viña del Mar no ano 2000, e, dois anos depois, ganhou o terceiro Concurso Nacional de Violino da Fundação de Orquestras Juvenis e Infantis do Chile. Como solista, já tocou Mozart com a Sinfônica da Universidade de Concepción e interpretou os concertos para violino de Shostakovich e Mendelssohn com a Sinfônica do Chile. Experimentou ainda a atividade de docência, exercendo o cargo de professor suplente de violino na mesma faculdade em que se graduou. Desde 2007, vive no Rio de Janeiro e integra a Orquestra Sinfônica Brasileira, atuando hoje dentre seus primeiros violinos. Também faz parte do Quarteto Radamés Gnattali e, nesse estreitamento da relação com o Brasil, tem se dedicado a aprender pandeiro e os ritmos do país. É colecionador de duas coisas em especial: camisetas e referências artísticas diferentes. O mesmo ouvido que surpreendeu o pai de um amigo de escola anos atrás se interessa por rock, canções folclóricas da América do Sul e a sonoridade eletrônica contemporânea, algumas das variações sobre seu tema predileto: música.

Hugo Pilger, Violoncelo — Hugo Pilger aprendeu a gostar de música sinfônica com a programação de uma antiga rádio que seu pai sintonizava nas manhãs de domingo. Aquela era uma nova descoberta dentro de um ambiente familiar já musical: seu avô materno foi violinista amador e influenciou sua mãe e tias, que chegaram a atuar como cantoras de baile no Rio Grande do Sul. Hugo começou a escrever sua trajetória artística cantando no Coral Corujinhas, da escola Pereira Coruja de Taquari (RS), e ao formar com seu irmão Rui um inspirado duo, que soltava a voz em pequenos armazéns para ganhar refrigerantes e bolas de gude. Esta carreira amadureceu e é hoje homenageada por nomes como David Ashbridge, Maurício Carrilho e Wagner Tiso. Sonata nº 2 para Violoncelo Solo, Serenata pro Pilger e Reflexões sobre a Ostra e o Vento são temas destes compositores dedicados a Hugo, que chegou ao violoncelo depois de participar das rodas de seresta do interior gaúcho como um promissor violonista durante a adolescência. Na Fundação de Artes de Montenegro (RS), encontrou seu primeiro grande mestre, o professor Milton Bock, e o início de uma formação clássica que o levou a decidir-se pelo violoncelo. Já no Rio de Janeiro, foi aluno do violoncelista Márcio Mallard e graduou-se na UNIRIO na classe de Alceu Reis, dois outros nomes fundamentais em sua história musical. Atualmente, Hugo Pilger é primeiro violoncelo da Orquestra Petrobras Sinfônica e também professor deste instrumento na UNIRIO. Participou de master classes com Marcio Carneiro, Antonio Del Claro, Arturo Bonucci, Antonio Meneses e Bernard Greenhouse. Já se apresentou como solista junto às sinfônicas Petrobras, do Theatro Municipal do Rio, de Campinas, de Porto Alegre e Brasileira; Filarmônica do Espírito Santo; orquestras de câmara da Cidade de Curitiba e Theatro São Pedro de Porto Alegre; além das orquestras do Teatro da Paz e de Ouro Preto. Como integrante de orquestra e camerista, já se apresentou em diferentes países das Américas e Europa e, em gravações, realizou registros de trilhas sonoras para o cinema e a televisão, além de atuar junto aos maiores nomes da música brasileira, como Chico Buarque, Milton Nascimento, Edu Lobo, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa, Marisa Monte e Roberto Carlos, dentre outros. O compositor francês Henri Dutilleux elogiou as qualidades de sua interpretação para Tout un Monde Lointain, obra para violoncelo e orquestra estreada no Brasil por Hugo Pilger em 2006. Do estoniano Arvo Pärt, realizou a primeira audição sul-americana do concerto Pro et Contra em 2009, mesmo ano em que passou a integrar o Quarteto Radamés Gnattali. Além do gosto pela limpeza técnica, suas apresentações demonstram o equilíbrio de um músico que aprendeu com diferentes professores e métodos de estudo um estilo próprio de se relacionar com o violoncelo e a música.

Programa

Radamés Gnattali
Quarteto Popular

W. A. Mozart
K 458 Casa

— I N T E R V A L O —

H. Villa-Lobos
Quarteto 1