XIII Ciclo de Intérpretes Catarinenses

Quarteto de Cordas Itaguaçu

O Quarteto de Cordas Itaguaçu foi fundado em 1997, por amigos comuns que semanalmente se reúnem para estudo e apreciação musical. No repertório constam obras da música clássica, romântica e moderna: Haydn, Mozart, Bocherini, Schumann, Berber, Prokofiev entre outros. Em 2000 o Quarteto realizou oito apresentações com o apoio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, pela Aliança Francesa de Florianópolis. Em 2008 e 2009 apresentou-se no Templo Rosacruz e no Congresso Estadual da mesma organização, em Florianópolis.

Formação

Glauco Sanford Vasconcellos (violino) estudou com o violinista e spalla da Orquestra Sinfônica de Florianópolis, Carmelo Prisco, recebeu orientação técnica dos professores violinistas Erich Lehninger, Leopoldo Kohlbach, Lola Benta e Luís Soler. Participou de diversos conjuntos e orquestras, entre os quais a Orquestra Juvenil de Florianópolis, Orquestra do Ginásio Catarinense, Conjunto Melódico e Conjunto Típico de Carmelo Prisco, Orquestra Sinfônica de Florianópolis e no Quarteto Beethoven, sob a orientação do violoncelista austríaco Fritz Kretschmer. Foi durante mais de duas décadas, spalla da Orquestra de Câmara de Florianópolis.

Paulo Costa (violino) estudou com Carmelo Prisco, na Escola de Belas Artes (Curitiba) com Bianca Bianchi, José Corujo, Claudio Santoro, Ester Scliar, Guerra Vicente e Alberto Jaffé. Participou da Orquestra Sinfônica de Florianópolis sob a regência do maestro Peluso, da Orquestra de Câmera sob a regência de Hélio Rosa, da Orquestra de Câmara da Biblioteca Pública do Estado do Paraná e Orquestra Sinfônica da Universidade Federal do Paraná.

Ademar José Cassol (viola) teve como professor Eugenio Coletti, estudou com o violonista Joseph Biro e com Alberto Joffé. Fundador e participante da Orquestra de Câmara de Florianópolis, onde atuou como solista ao violino e, posteriormente, como violista.

Elisabeth Cassol (violoncelo) estudou violoncelo e flauta doce no Centro de Artes da UFMS e no Instituto de Artes da UFRGS, formou-se em flauta doce na Academia Federal para a Educação Juvenil de Trossingen (Alemanha) e entre 1981 e 1995 foi professora de flauta doce na Escola de Música Charlottenburg (Berlim). Foi membro da Nova Orquestra de Câmera de Wedding. Em 1995, de volta ao Brasil, participou da Orquestra Municipal de Florianópolis e tornou-se violoncelista do Quarteto de Cordas Itaguaçu.

Músicos convidados

Alberto Andrés Heller é formado concertista pela Escola Superior de Música “Franz Liszt” em Weimar, Alemanha, onde realizou profunda pesquisa sobre a obra de Liszt. Regeu obras como a Missa da Coroação de Mozart, o Réquiem de Fauré e o Oratório de Natal, de sua autoria. É compositor também do Concerto para Piano e Orquestra e Onze Momentos para Violoncelo e Piano. Em 2005 a Camerata Florianópolis gravou em CD várias de suas obras para orquestra. Em 2007 lançou o álbum duplo “As vozes da Poesia – vinte poemas de autores catarinenses musicados para coro e piano”, com a participação do Polyphonia Khoros. Heller é também autor dos livros Fenomenologia da Expressão Musical (Editora Letras Contemporâneas). Neste mesmo ano recebeu o Prêmio Edino Krieger e foi eleito pela ACLA (Academia Catarinense de Letras e Artes) personalidade musical do ano.

Mauro Cesar Cislaghi é licenciado em Música pela Universidade do Estado de Santa Catarina, Mestre em Música (Educação Musical) pela Universidade do Estado de Santa Catarina, é professor de Música da Universidade do Planalto Catarinense (UNIPLAC). Atua como clarinetista convidado da Camerata Florianópolis e de grupos de câmara. Como compositor, é autor da trilha sonora do curta-metragem ‘Guerra de Sombras’, e dos documentários ‘Coxilhas’ e ‘O chão da minha terra: a vida de Nereu Ramos’, todos exibidos na RBS TV SC.

Programa

Luigi Boccherini (1743-1805)
Quinteto em Dó Maior
- Allegretto lento
- Presto
- Variações sobre a Retreta Noturna em Madrid
- Polonaise

Robert Schumann (1810-1856)
Quinteto em Mi Bemol Maior Op. 44
- Allegro brillante
- In modo d'una marcia
- Scherzo
- Allegro ma non troppo

Sergei Prokofiev (1891-1953)
Overture on Hebrew
Themes Op. 34

Sobre as obras

Quinteto em Dó Maior (Boccherini) — Depois de uma temporada como cellista do Teatro Imperial de Viena, em 1769, Boccherini radicou-se em Madrid, onde, além de músico da Corte, passou a dedicar-se a uma copiosa produção musical. Este Quinteto é bastante executado na versão com violão em lugar do piano. Para o terceiro movimento aproveitou uma composição anterior (Retreta Noturna em Madrid) apresentando-a em forma de interessantes Variações. A exposição do tema inicia-se em pianíssimo (na partitura: pouco audível), como se o grupo estivesse ao longe na cidade. A cada Variação os músicos se aproximam mais e mais. Finalmente a Retreta atinge um clímax. Ouve-se o tam-tam dos tambores e das baterias em fortíssimo. Finalmente o agrupamento vai se afastando até o total esmorecimento do som. Para finalizar o Quinteto Boccherini introduziu, com muita liberdade, uma Polonaise. Certamente a Guarda Militar vai agora divertir-se...

Quinteto em Mi Bemol Maior Op. 44 — Schumann estava no auge da felicidade, ainda sem qualquer sinal da depressão, quando compôs esta obra. Precisou de menos de três semanas para compor o Quinteto, durante o mês de outubro de 1842. A obra foi dedicada a Clara, e ela participou da primeira execução. Foi um enorme sucesso que aumentou a reputação de Schumann mais que qualquer outra de suas obras. Na segunda execução, Clara estava doente, e Mendelssohn foi convocado às pressas, tocando a parte do piano à primeira vista. Impressionado com o Quinteto, ele sugeriu a Schumann que alterasse o terceiro movimento, o Scherzo, acrescentando algo mais vivaz como o Trio II (na presente execução ele não será apresentado). O primeiro movimento inicia com todos os instrumentos tocando em alto e bom som; a indicação “Allegro brilliante” refere-se mais ao caráter que ao andamento. Cada uma das quatro mínimas da abertura é acentuada; na verdade a acentuação atinge-nos como forma de alegria, nunca de insistência. O que é único em Schumann é o fato de ele ser simultaneamente vigoroso e lírico. E o que é ainda mais notável, faz que o pianista ceda a melodia às cordas na maior parte de sua obra. Assim, depois das explosões da abertura, o piano dá início um arrebatador segundo tema que logo é tomado pelo primeiro violino; e embora o pianista limite-se ao acompanhamento, nunca existe, como se poderia esperar, a sensação de que os instrumentos estão soando uns contra os outros. Tudo contribui para um calor expressivo e difuso. No segundo movimento, “À maneira de uma marcha”, o primeiro violino toca uma melodia que pode facilmente soar fúnebre ou espectral, mas nunca as duas coisas. Nenhuma destas duas disposições de ânimo condiz com o resto da obra ou com o resto deste movimento, pois depois de um minuto, a marcha cede lugar a uma melodia penetrante e sublime no primeiro violino e no violoncelo, o que nos faz sentir que Brahms, que venerava Schumann, recebeu a mais sincera forma de homenagem. A marcha retorna, e o segundo episódio é marcado “agitatto”, com uma figuração angular para o piano, e as quatro cordas em uníssono. A marcha transforma-se em um tema lírico, e a melodia à la Brahms volta gloriosa e voluptuosa. O “Scherzo” é um movimento alegre e agitado, com escalas ascendentes para o piano, logo imitado pelos outros instrumentos. Há dois trios, o primeiro lírico, e o segundo – por sugestão de Mendelssohn – disparado e cromático. O último movimento é uma combinação entre a forma sonata e a fuga, um movimento “viajante”, do tipo schubertiano, mas depois de um grande clímax, Schumann prepara-nos uma surpresa: o primeiro tema de toda a obra retorna e recebe um pleno tratamento em fuga.